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A importância de sermos únicos e originais!

Discussão em 'Design e Multimédia' iniciada por Guilhermecw, 25 de Fevereiro de 2009. (Respostas: 132; Visualizações: 5861)

  1. Guilhermecw

    Guilhermecw Power Member

    Senhor João - Guilherme, precisava de um site para a minha empresa.

    Guilherme - Muito bem, senhor João. Acho que é, de facto, uma necessidade bastante pertinente. Hoje em dia todas as grandes empresas já optaram pela divulgação dos seus serviços através da internet.

    Senhor João - Sim, acho que é importante… para dar a conhecer o que faço e para ganhar mais umas coroas!

    Guilherme - Claro, compreendo perfeitamente! O senhor pretende aumentar o seu volume de negócios e isso é perfeitamente legítimo.

    Senhor João - Ora nem mais! Mas olhe, Guilherme, eu não queria gastar muito dinheiro nesta brincadeira. Quero uma coisa bastante simples!

    Guilherme - Já tem uma ideia daquilo que pretende, senhor João?

    Senhor João - Mais ou menos, Guilherme. Sabe que eu não percebo muito destas coisas de computadores, não sabe? Olhe, eu queria um site igual ao Manuel da concorrência. Assim com umas fotos e umas brincadeiras, e os contactos da minha empresa!

    Guilherme - Compreendo senhor João. Talvez fosse melhor sentarmo-nos a falar acerca dos seus verdadeiros objectivos relativamente a este possível projecto. Se pretender, posso adiantar-lhe um orçamento!

    Senhor João - Não Guilherme, não vale a pena! Não quero nada de mais! Olhe, eu até podia falar com o meu filho para ele me fazer isto. Ele percebe destas coisas de computadores, está lá sempre metido nos jogos e tudo!

    Guilherme - Senhor João, sem qualquer desprimor para as qualidades que o seu filho possa ter nas mais diversas áreas, penso que o ideal seria o senhor poder entregar o trabalho a quem sabe o que está a fazer, a quem estudou, a quem teve a formação adequada para produzir este tipo de trabalho.

    Senhor João - Oh Guilherme, não diga isso. O meu filho percebe muito de computadores! Dei-lhe eu o primeiro computador quando ele tinha 6 anos e desde então não tem largado o vício da informática.

    Guilherme - Ok, senhor João… prefere falar com o seu filho ou continuar esta conversa comigo?

    Senhor João - Vamos falar Guilherme, mas já sabe: não me pode apresentar um orçamento muito alto! Diga-me, dá para copiarmos o site do Manuel e mudar os textos?

    Guilherme - Não senhor João, de forma alguma. Eu não posso fazer isso, não seria ético da minha parte e…

    Senhor João - Olhe, e então… como se chamam aqueles sites já feitos e que estão muito na moda?

    Guilherme - Os templates, senhor João?

    Senhor João - Como diz? Templates? Acho que é isso mesmo… já ouvi falar numa coisa assim desse género. Acho que as pessoas podem comprar os sites já feitos e depois alterar o texto! Isso era bom não era?

    Guilherme - Sim, senhor João, é exactamente dessa forma que as coisas funcionam. No entanto, e se me permite este reparo, essa prática também acarreta muitas desvantagens. Sabe que o seu site nunca poderia ser único e original pois centenas de outras pessoas e empresas teriam um site igual!

    Senhor João - Oh Guilherme, mas é a internet… não estou a ver mal nenhum nisso! Olhe, eu dou-lhe 50 euros para me alterar assim um site. Eu sei que faz isso em meia-horita! E olhe que ainda me fica a dever um favor porque isso é pouco trabalho e o dinheiro está caro…

    Guilherme - Senhor João, acho que não partilhamos da mesma perspectiva relativamente à importância de uma plataforma Web. Acha mesmo que um site igual a tantos outros, seria benéfico para a sua empresa?

    Senhor João - Acho que sim…

    Guilherme - A sua empresa é igual às outras?

    Senhor João - Não, claro que não! A minha empresa é diferente e é a melhor porque…

    Guilherme - Então, vê aqui alguma ligação? Se a sua empresa é diferente da do Manuel, se os valores da sua empresa, a identidade, os princípios, o carisma, a forma de trabalhar são diferentes, porquê copiar o site do Manuel?

    Senhor João - Oh Guilherme, acha mesmo que alguém liga a isso? O importante é mesmo ter um site para mostrar aos meus clientes. Assim até poupo nos cartões-de-visita!

    Guilherme - Senhor João, o desenvolvimento de uma plataforma Web, vulgo website, tem de ser feito de acordo com uma série de premissas anteriormente desenvolvidas. Não pode, simplesmente, pegar num site já feito e mudar o texto. Nem pode, tão pouco, esperar que o seu site seja um substituto rentável do cartão-de-visita. O seu site tem de funcionar como uma extensão da Identidade Corporativa da sua empresa e terá de ser desenvolvido de acordo com uma Identidade Visual, com uma série de leis predefinidas que o ajudarão a transmitir, da melhor forma possível, aquilo que é a sua empresa, quais os seus objectivos, quais as suas características. Tudo isto envolve um estudo, envolve uma conversa preliminar…

    Senhor João - Guilherme, isso é tudo conversa fiada de quem quer ganhar dinheiro! Estas coisas não são assim tão complicadas! Quer tratar-me disso, ou não?

    Guilherme - Senhor João, terei todo prazer de conduzir todo este processo e de lhe criar uma página Web à sua medida, uma página única e original.

    Senhor João - Mas pode ser parecida com a do Manuel? É que está tão gira…

    Guilherme - Não, senhor João. Não pode ser parecida com a do Manuel, tem de ser uma página igual a si própria, tem de ser única! Eu peço-lhe que compreenda isto, porque de outra forma será difícil conseguirmos seguir em frente com este projecto.

    Senhor João - Está bem Guilherme, está bem. Olhe, se diz que é melhor assim, então eu aceito. Mas olhe que não pago mais do que os 50 euritos de que lhe falei! Faça-me aí uma coisa bonita até os 50 euros. O meu filho está a copiar o logótipo da empresa do Manuel e vai apenas mudar o texto, e eu depois dou-lhe isso e o Guilherme trata do resto. Estamos combinados?

    Guilherme - Senhor João, acho melhor não prosseguirmos com este projecto. Muito sinceramente, esta não é a minha política de trabalho. Tento ser profissional ao máximo e…

    Senhor João - Então não aceita?

    Guilherme - Não, senhor João, não posso aceitar. Isso iria completamente contra os meus valores.

    Senhor João - Sabe que mais, Guilherme? Como você há muitos! E depois queixam-se do desemprego em Portugal! Não querem é trabalhar!

    Guilherme - Sabe que mais, senhor João? Com todo o respeito que me merece, deixe-me dizer-lhe algo: pessoas como o senhor são as principais responsáveis pelo tão famigerado debate sobre a “crise”. Continue a agir dessa forma, e a tomar decisões relativamente ao futuro da sua empresa de forma tão leviana, e dentro de pouco tempo será mais um a pesar na estatística do desemprego. E eu continuarei a trabalhar de acordo com os meus princípios e valores, a ajudar empresas que pretendem crescer, marcar a sua posição do mercado, que pretendem vencer com as melhores armas disponíveis. Opte pela originalidade, pela unicidade, singularidade, seja mais e melhor do que os outros e trilhe o seu caminho para o sucesso! Isso sim, é verdadeiramente importante!

    Senhor João - Guilherme, não me venha dar lições de moral! Eu só quero uma página e você é que está para aí a complicar! Vou mas é dar isto ao meu filho e ele trata-me das coisas. E até são 50 euros que vou poupar!

    Guilherme - Senhor João, acho que é a melhor atitude a tomar. Garanto-lhe que, a continuar dessa forma, esses 50 euros vão-lhe fazer bem falta no futuro. Passe bem.



    Texto da autoria de Guilherme Costa, disponível em:

    Contactar autor.
     
    Última edição pelo moderador: 25 de Fevereiro de 2009
  2. Armadillo

    Armadillo Folding Member

    Quem tem por cliente o Sr. João e seus semelhantes, não pode esperar muito mais.
    E a importância não está em sermos únicos e originais, está no valor acrescentado que um site pode ter, dado posicionamento da empresa no mercado.
     
    Última edição: 25 de Fevereiro de 2009
  3. tonebiclas

    tonebiclas Power Member

    infelizmente muitas pessoas pensam como o Sr.João...copiar sites/logotipos e tá um site feito.

    o pior é que é um site de uma empresa :S
     
  4. DanielDenis

    DanielDenis Power Member

    De qualquer forma e sem querer dar qualquer tipo de razão ao famigerado Sr. João,que me pareceu ser alguem completamente leigo na materia,o discurso usado pelo Guilherme não foi devidamente adequado ao individuo em questão e todos sabemos que muitas vezes esse é o cerne da questão.
     
  5. theforbidden1

    theforbidden1 Banido


    Está tudo dito... Um talho ou uma pastelaria não tem milhares de euros para investir em sites...
     
  6. MaNs1nH0

    MaNs1nH0 Pirate King Folder

    Qual era o discurso que farias?
     
  7. timber

    timber Zwame Advisor

    Isto é mais ou menos a continuação duma thread que andava aí no outro dia.

    Normalmente ninguém tem a razão absoluta e existe mercado para toda a gente.
     
  8. DanielDenis

    DanielDenis Power Member

    Evitaria ao máximo termos técnicos e palavras caras que são meio caminho andado para os leigos pensarem que estão a cair em algum tipo de engodo.
    Este cliente é o exemplo perfeito do típico português que acha que sabe tudo e mais alguma coisa e para quem a opinião de profissionais pouco ou nada conta.
    Não estou a criticar o Guilherme mas comigo a conversa teria acabado de forma cordial no momento em que o Sr. João atribui um preço ao trabalho.
     
  9. Guilhermecw

    Guilhermecw Power Member

    Concordo perfeitamente com a tua opinião. No entanto, numa perspectiva de mercado, os possíveis clientes são todos aqueles que possam estar remotamente interessados nos nossos produtos e ou serviços, sejam eles de pequenas, médias, ou grandes empresas. Eu trabalho com todas!

    E reitero a opinião de que é importantíssimo sermos únicos e originais, independentemente da posição que a empresa do nosso cliente possa ter no mercado.

    Daniel, qual seria o melhor discurso para este tipo de situações? Pessoalmente, eu tento adequar o meu tipo de palavreado consoante as pessoas com que falo. Não falo da mesma forma com os meus pais que falo os amigos. Não falo da mesma forma com os amigos do que como falaria com o presidente da república. No entanto, tento falar com os meus clientes de forma igual, e de forma a ser bem entendido. Não expliquei ao cliente o que é o HTML nem o Flash, apenas tentei expôr as razões pelas quais as coisas não poderiam funcionar como ele pretendia inicialmente.

    theforbidden, não podemos, nem devemos, negar a existência de empresas que facturam milhares de euros por mês e não têm um logótipo e uma plataforma web. E não são nem talhos nem pastelarias. Basta olhar para o mercado da construção, por exemplo, para vermos milhares de casos assim.

    Os últimos 2 parágrafos são praticamente fictícios e representam apenas a minha opinião relativamente ao tema. Normalmente não costumo entrar em discussões que sei que não poderão resultar em nada de positivo para ambas as partes. Apenas queria discutir isto convosco de uma forma ligeira e construtiva.


    Obrigado pelos comentários!
     
  10. michael c

    michael c Power Member

    Hmmmm...será que não deveriam ser os próprios empresários a informarem-se junto de profissionais do que precisam ou não? 50€ por um site? Ponham alguma dignidade no mercado web. Quando esse valor viesse à baila a conversa terminava aí.

    Mas, ao contrário do que afirmas, esse valor NUNCA é aceitável nem espectável. Nem que se trate de adequar um template. As pessoas têm de ter noção do que estão a comprar/pedir. Isso é o mesmo que eu ir a um stand da ferrari e perguntar se me vendem um carro deles por 5.000€. Se eu fosse o Sr. João teria cuidado antes de dizer essas bacoradas e cair no ridiculo. Se pessoas como o Sr. João não têm dinheiro, pedem um orçamento, veêm se esse orçamento está adequado ao € que têm disponível e se não for de encontro às expectativas simplesmente rejeitam e passam à frente. Da mesma forma que ao comprar um ferrari de 150.000€ não faço negociação para o trazer por 5.000€, também o Sr. João não pode ter pretensões de comprar um site que vale centenas ou mesmo milhares de € por 50€. Parece-me justo esperar isto mesmo.

    Armadillo, então mas para um site ter valor acrescentado não tem de ser único? Como pode trazer valor acrescentado se assim não for? Seja qual for o posicionamento da empresa no mercado, ser único gráficamente é um requisito minimo/básico para se diferenciar.

    Depende. Ficarias surpreendido com aquilo que talhos e pastelarias podem ganhar. Se investissem os excedentes em arranjar outros meios de distribuição/canais de comunicação com os clientes, talvez no final do ano lucrassem mais uns milhares de € e em menos de um ano consegueriam reaver o investimento feito no site. O mal não está nas áreas de negócio mas sim na falta de visão e falta de sentido comercial que o pequeno empresário/comerciante nacional infelizmente não tem. Mas à medida que isto for ficando mais competitivo que remédio terão as pessoas senão investir para se diferenciar da concorrência.

    Cumps,
    michael c
     
  11. timber

    timber Zwame Advisor

    Quem faz o mercado não é só quem compra também é quem vende.Se existe malta a vender a 50€ e o que vende serve a quem compra tem que se amanhar com isso.
     
  12. tonebiclas

    tonebiclas Power Member

    Tenho a mesma opinião.
    Cada trabalho tem seu preço, não percebi a ideia de ser o cliente a ditar o preço
     
  13. michael c

    michael c Power Member

    Verdade. questiono-me é como pode haver pessoas a venderem sites por esse valor. Pergunto-me como sobrevivem e acima de tudo como podem empresas ficarem contentes com os resultados desse valor. Realmente neste aspecto ainda há muito caminho a trilhar em Portugal. Vamos ver se um dia lá chegamos.
     
  14. tomassantos

    tomassantos To fold or to FOLD?

    O Senhor João tinha poucos conhecimentos de internet, ao ver que o filho sabe mexer no pc lá de casa, sabe mexer no paint e tal, pensa que o Guilherme não vale mais que isso, e só foi ter com o Guilherme por ser um professional, ao contrário do filho.

    Estas pessoa estão pouco informadas, não vão tentar negociar um carro por um preço reduzido, porque sabem que não vale isso e ninguém vai vender por esse preço, o mesmo não se passa com a internet, pensam que é só um páginazinha com texto, por isso não vale nada.

    O Guilherme podia ter acrescentado que é licenciado, bla, bla, bla e perguntar 'Acha que depois de x anos a estudar o meu trabalho vale 50 €?!' e explicar o valor dos sites, como são avaliados, como são feitos, as vária etapas, etc. Mostrara que não é brincadeira.

    Se o Guilherme tivesse dito 'Não faço um trabalho desses por menos de 300, pode procurar qualquer design que nenhum faz por esse preço', ele ia ao mais próximo e este não fazia por menos de 400, então o Sr ia ao Guilherme novamente, e já sabia o valor de um site. O problema era se o tal design fizesse mesmo por esse preço...

    Ia ele contar aos amigos que teve um site por 50€...E é assim que o negócio não é valorizado.
     
  15. Guilhermecw

    Guilhermecw Power Member

    Completamente verdade o que aqui referes. Eu gostaria, no entanto, de fazer uma observação. Existe, de facto, mercado para tudo, tal como aqui já foi referido. Contudo, esta constante desvalorização do nosso trabalho, vai levar a um descrédito e a um consequente decrescer de qualidade do mesmo! Se um profissional da área levaria X euros para fazer um trabalho durante 3 semanas, e se clientes como o Sr. João vão querer pagar apenas 50 €, o tempo terá de ser reduzidíssimo. Talvez um dia de trabalho para fazer uma plataforma web.

    E ficariam completamente espantados com o número de pseudo-empresas e profissionais que fazem isso mesmo. E depois levam os outros todos por tabela.
     
  16. timber

    timber Zwame Advisor

    Provavelmente não vivem disso. Talvez estejam numa fase em que pensem que ter trabalhos de borla os levará a desenvolver uma carreira (é uma espécie de estágio não-remunerado...)

    Quem aceita isto ... bem sei lá. Deve ser alguém que não tem grandes planos para o online. Quer ter uma página porque toda a gente também tem um.
     
  17. lothar_m

    lothar_m Power Member

    é o resultado de uma lei que regula o funcionamento da chamada economia de mercado e que se chama Lei da Oferta e da Procura. De forma simplista, diz que o preço de um bem ou serviço é ditado pelo equilibrio que se estabelece entre quem vende e quem compra (e não por iniciativa exclusiva de um dos lados).
     
  18. Mitch

    Mitch Banido

    efectivamente para muitos clientes a única coisa que interessa é efectivamente ter uma presença online, e para esses clientes não adianta tentar vender algo a que eles não dão valor, e a que na maioria dos casos nem faz realmente grande diferença. se eu andar à procura de uma empresa que faça um serviço, encontro o contacto num site qualquer e pronto. o serviço em si não depende da plataforma web utilizada, uma vez que esta só serve para dizer ao mundo que a empresa "existe". para esse tipo de cliente mais vale ser o filho do dono a fazer a página, ou até o dono a fazer a página no word :-D
     
  19. tomassantos

    tomassantos To fold or to FOLD?

    Se encontrares um site todo pipi não pensas que a empresa é de confiança?
     
  20. arkannis

    arkannis Power Member

    Precisamente.
    Uma pessoa ao ver um site todo bonito e profissional, fica sempre com uma boa impressão da empresa, e geralmente pensa "epá estes gajos até têm dinheiro para um site destes, devem realmente ter um grande volume de negócios e ser bons nisto".

    É a mesma coisa que comprarem um escritório na cidade e decora-lo todo bonito, ou então arranjar uma garagem qualquer e pôr lá umas mesas e uns computadores. Fazem os dois exactamente o mesmo, mas não sei porquê, cheira-me que o do escritório pipi vai ter bem mais sucesso no negócio.

    A questão é que as aparências importam, e actualmente um bom site tem tanta importância como um escritório arranjado ou um vendedor com um bom fato.
     

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