1. Este site usa cookies. Ao continuar a usar este site está a concordar com o nosso uso de cookies. Saber Mais.

Designer v/s Clientes

Discussão em 'Design e Multimédia' iniciada por 3dhouse, 4 de Fevereiro de 2009. (Respostas: 16; Visualizações: 1036)

  1. 3dhouse

    3dhouse Power Member

    Há gente que verdadeiramente não tem muito respeito pelo nosso trabalho, muitas vezes não se dão conta mas continuam a ser irritantes na mesma. Tenho o azar de ter de trabalhar muitas vezes com o cliente à frente, e chateia-me que diga coisas, que na maior parte das vezes são erros crassos de design. Depois é muda a tipografia para uma Arial, gosto mais de um verde tropa, põe o nome site em 72pts, põe a "biblia" em meia página A4 etc etc.
    Quando vamos ao mecânico não lhe damos palpites da melhor forma de arranjar o carro, se um cliente quer um bom trabalho não acham que não se devia meter no trabalho do designer? Tudo bem que é ele que paga, logo manda, mas também há limites!
    É só a mim que isto me chateia? Será por ser novo? Que tácticas usam para dar a volta ao cliente? Como levam a vossa avante?
     
  2. MyRuin

    MyRuin Power Member

    Aí está um erro, eu nunca faço alterações à frente do cliente.
    A reunião com o cliente serve para apresentar o trabalho e discutir alguns pontos caso ele não concorde e explicar-lhe o porquê daquela solução.
    A reunião não serve para fazer alterações.
    Uma maneira para controlares isso é apresentares só material impresso quando assim o trabalho o permita.
    Quanto a cores ou outras opções se tiveres bem justificado e acreditares no teu conceito, conseguirás dar a volta, explicando o porquê aquela solução é vencedora.
    Não quer dizer que não faças cedências, claro que tem que haver de ambas as partes, mas também podes fazer com que o cliente se justifique em relação ao gostar por não gostar.

    Em relação ao "tudo bem é ele que paga", há uma diferença grande entre contratar um designer para fazer o trabalho e pedir a um jeitoso e estar ao lado dele a escolher a letra e as cores. É trabalho do designer também mostrar ao cliente que está errado e qual é a solução melhor para o seu problema, é por isso que está a pagar mais do que se for num jeitoso. Pois está a pagar a pesquisa, o processo criativo e a execução. A um não designer apenas está a pagar a execução daquilo que ele acha que é bom.
     
  3. Revenant

    Revenant Power Member

    Um designer tem também que fazer o papel de vendedor muitas vezes. Conseguir convencer o cliente de que determinado processo é mais viável é bastante importante, não só para o cliente ficar bem servido como também para o nosso portfolio não ter quebras de qualidade.

    Às vezes torna-se chato e é pior ainda quando o cliente tem alguma experiencia em artes visuais ou algo parecido. É tal e qual a velha questão de médico doente quando é tratado por outro médico, tem obrigatóriamente de dar confusão.

    Para um designer ser bem sucessido na tarefa de convencer o cliente tem de saber dar a volta às questões e como se custuma dizer: "Vender o peixe". Não é uma questão de iludir de forma a despachar trabalho mas sim com fins a fornecer um bom produto. Como já foi também referido; alterar projectos à frente do cliente é meio caminho andado para fomentar a confusão. É preferivel fazeres dois ou três caminhos diferentes e dar ao cliente a escolher do que fazer alterações com ele ao lado.

    Cumps.
     
  4. michael c

    michael c Power Member

    Isso acontece bastante infelizmente...mesmo que não faças o trabalho à frente do cliente. E não adianta por vezes justificares racionalmente as opções, por vezes até com memórias descritivas a explicar todo o processo, porque o cliente vai continuar sem te ouvir.

    O pior cliente que podes ter é aquele que não sabe o que quer. Esses sim, são desesperantes. Já tive um ou outro assim e para teres noção acabei por desistir dos trabalhos. Isto porque me fartei literalmente de "aturar" os caprichos das pessoas, tudo tem de ter limites. Claro que por conta de outrem não podes fazer isto. Nesse caso o que recomendo, e eu sei bem quanto custa, é fazeres a vontade e não pensares muito nisso. Se depois de justificares concretamente as tuas opções o cliente continuar a insistir em algo errado não há muito a fazer.

    Em Portugal existe muito a mentalidade das postas de pescada. Toda a gente sabe disto dos designs e toda a gente tem opinião e é especialista...isto afinal de contas é dar uns cliques e juntar umas cores, é tudo muito simples. E enquanto essa mentalidade não mudar não vai haver muito a fazer neste âmbito. A força do argumento varia também com o nome que tens no mercado...com isto quero dizer que alguém que seja conhecido internacionalmente nesta área tem o direito de apresentar o conceito mais abstracto de que se lembrar e mesmo assim tem grande probabilidade de esse trabalho ser aceite. É tudo uma questão de imagem...

    Cumps,
    michael c
     
  5. h9nrik

    h9nrik Power Member


    Não é só em Portugal... :x2: Costumo ver estas vinhetas são 5*...

    [​IMG]
    Autor: N.C. Winters
     
  6. paulojreis

    paulojreis Power Member

    Infelizmente, o design é uma das áreas onde até o mais ignorante gosta de mandar o seu bitaite e considerá-lo uma opinião válida e equiparável às profissionais...
     
  7. timber

    timber Zwame Advisor

    Parece-me apropriado recomendar esta leitura

    http://powazek.com/posts/1733
     
  8. ruimoura

    ruimoura Power Member

    Ora aí está o problema ... Não que seja só em Portugal, mas é mesmo isso.

    "Ahh e tal, isso no photoshop é num instante e até o meu primo sabe fazer ..."

    "Ah e tal, esse orçamento está muito alto, o amigo do tio do meu primo faz isso no photoshop e só tenho que lhe pagar um jantar ..."

    O que se faz por aqui (a nível pessoal e na empresa) é fazer de conta que se está a ouvir o cliente, anota-se tudo com grandes "LOLs" à frente para marcar as ideias ridículas, e depois faz-se uma análise do que foi anotado e tenta-se minimizar os "estragos" fomentados pelo cliente. Na reunião seguinte apresenta-se o trabalho (numa fase intermédia, ou a combinar previamente com o cliente), que quase nada tem a ver com o que a pessoa tentou fazer passar, mas tenta-se, com todo o carinho e amor do mundo tentar levar a pessoa a pensar que assim é que está bem.

    Claro que isto implica que se tenha quase o dobro do trabalho, pelo menos a nível de paleio, mas nada que não se consiga fazer, regra geral.

    É portanto preciso ter muito amor e carinho para dar e oferecer (por outras palavras, ter uma paciência de santo e tentar ignorar as barbaridades que vão sendo ditas pelo cliente).
     
  9. Guilhermecw

    Guilhermecw Power Member

    Resposta para situações semelhantes:

    "Caro sr. XPTO, como deve compreender, não me sinto totalmente à vontade para proceder a este tipo de alterações na sua presença. As alterações que me pede, embora pertinentes, terão de ser alvo de um processo de estudo da minha parte antes de proceder à sua aplicação no trabalho. Sim, compreendo que queira acompanhar o desenvolvimento do trabalho 'in loco', mas peço-lhe que tenha em conta que a qualidade do mesmo irá, em tudo, depender da minha criatividade, de um accionar de todo um conjunto de mecanismos processuais que me possam permitir trabalhar de forma profissional. Sou um profissional, as minhas produções representam aquilo que faço de melhor, tendo em conta a minha formação académica. O sr. XPTO faz o seu trabalho, e eu faço o meu. Arial a 72pts, letras a verde tropa? Peço-lhe que entenda que estas alterações não serão benéficas para a produção que me pede. Transmita-me a mensagem que pretende passar aos seus clientes, diga-me o que quer comunicar e eu vou tratar de criar a sua ideia.

    Não? Então vá à m*rda e peça a alguém que lhe altere um template"
     
    Última edição: 4 de Fevereiro de 2009
  10. Revenant

    Revenant Power Member

    Se bem que às vezes dá vontade de passar logo para a ultima alinea... :D
     
  11. Cartman

    Cartman Power Member

    Ainda bem que eu recebo os trabalhos já feitos e é "só" imprimir. :D
     
  12. foxymophandlema

    foxymophandlema Power Member

    Pois, mas o cliente tem direito a pedir alterações, isto se as alterações não forem extra natureza do trabalho acordado.. Não pode é pedir alterações constantemente.
     
  13. Monstro

    Monstro Power Member

    estamos aqui só a ver a parte do designer, tudo depende do designer que estivermos a falar também, pois conheço muito boa gente ditos profissionais e depois o trabalho não é bem aquele que se deseja de todo ter..

    Isto tem tudo a ver também com a maneira de ser de cada um de nós, por exemplo eu sou do género que gosto de aconselhar as pessoas pelo caminho mais correcto, mas uma das coisas que já aprendi neste mundo é que a maior parte das pessoas gosta de gastar o dinheiro duas vezes.
    À primeira vez querem ir logo pelo mais barato, passado pouco tempo chegam a conclusão que não estão satisfeitos, ou seja, mandam fazer uma segunda vez, desta vez já é uma coisa em condições e boa.

    Se estamos a fazer uma coisa que nos agrada é muito mais fácil o trabalho fluir, mas também temos que saber lidar com as coisas quando não nos agradam. Penso que seja isso que faz um bom profissional, n é só perceber bem aquilo que faz, é saber lidar com as situações das mais diversificadas maneiras.
     
  14. thejoedoe

    thejoedoe Power Member

    Muitas vezes também há um problema de comunicação entre o designer e o cliente. É obrigação do designer, na minha opinião, tentar sugar toda informação possível e imaginária do cliente. Por outras palavras ser mais chato que o cliente.
    Mas no fim de contas há sempre a velha questão do Gostos não se Discutem que neste caso só chateia.
     
  15. ruimoura

    ruimoura Power Member

    Gostos discutem-se, e muito. Essa dos "gostos não se discutem" serve só para acabar com uma conversa que não nos está a agradar, mais nada ;)

    Concordo quando dizes que o dever do designer é absorver ao máximo tudo o que o cliente tem como ideias, planear tudo bem, e tentar, na maioria das vezes, adaptar as coisas de modo a que fiquem um pouco melhores do que aquilo que o cliente pensa que é o ideal.

    O que se passa, regra geral, é o mesmo que ir a um médico e estar o paciente a dizer-lhe como o deve tratar. Cada macaco no seu galho. O cliente tem uma ideia do que quer (mais ou menos definida), o designer tem que saber aproveitar aquilo da melhor maneira para tentar agradar ao cliente, e se for necessário, "enfrentá-lo", para o tentar fazer perceber que assim é que fica bem, não como ele queria. Agora apanhar com clientes que vêm tentar ensinar um gajo a fazer o trabalho (que são mais do que se imagina) é que não, não há paciência para este pessoal ...
     
  16. É verdade sim, por acaso nunca nenhum cliente meu rejeitou trabalhos nem apontou o dedo em relação a erros. Mas assisto a vários casos assim, apesar de a velha frase dizer "cliente tem sempre razão" lol

    Mas muitas das vezes a culpa é do designer...
     
  17. azor1982

    azor1982 Power Member

    :x2:

    De facto é muito complicada esta área. Não é fácil agradar a gregos e a troianos. :'(

    Aconteceu-me, há bem pouco tempo, ter perdido 2 horas a fazer uma pequena ilustração numa pequena parte de uma brochura a qual encaixava que nem uma luva e o cliente simplesmente disse:

    Tire a flor dali pra fora!
    Para ele era uma flor...
    E eu: 8|

    Mas lá está... não lhe dei a volta por completo mas consegui manter o "mesmo estilo" na brochura sem que ele se "apercebesse" à primeira vista.

    Normalmente os briefings do trabalhos vão sempre por email para uma 1ª análise.

    Tento evitar ao máximo ter o cliente ao meu lado se estiver a editar, caso contrário, detonam o trabalho todo. :rolleyes:

    Outros há que, mesmo sendo por vezes inoportunos, dão alternativas viáveis e esses sim tem todo o meu respeito porque apesar "criticam" mas apresentam soluções. :)

    Fiquem bem
     

Partilhar esta Página