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Freelancing vs. Contrato

Discussão em 'Design e Multimédia' iniciada por Xistel, 27 de Setembro de 2012. (Respostas: 75; Visualizações: 10824)

  1. Xistel

    Xistel Power Member

    Boas, gente criativa!

    Qual é o modelo em que preferem trabalhar? Em que moldes trabalham agora? Quais os prós e contras de cada um?

    É bom ter uma ideia de como o pessoal se anda a safar neste meio!
     
    Última edição: 14 de Novembro de 2012
  2. michael c

    michael c Power Member

    Pessoalmente sempre preferi o freelancing. Os prós e contras são fáceis de perceber:

    Freelancer
    vantagens: autonomia e escolher trabalhos/clientes;
    desvantagens: pagam-se bastantes impostos, trabalho incerto, muitas horas de trabalho que podem ser mal remuneradas se não existir algum cuidado, trabalha-se um pouco isolado (agora com o co-working acaba por ser mais fácil para quem tem possibilidades e está num local onde exista esta opção).

    Contrato
    vantagens: mais estabilidade, menos impostos porque a entidade patronal paga uma das partes, trabalhas em equipa o que pode acabar por ser porreiro;
    desvantagens: pouca autonomia, não se pode escolher os projectos em que se quer trabalhar, por vezes nesta área existem muitas horas extra que acabam por não ser pagas.

    Enfim, depende um pouco da personalidade. Quanto a valores, os contratos nesta área são de baixo valor. Raro é aquele que com até 5 anos de experiência consegue ganhar mais de 1000€ numa função ligada ao design e comunicaçao. Como freelancer podes ganhar mais ou menos que isso. Mas como o fel frisou e bem, o nível de impostos é tão alto neste momento em Portugal para os trabalhadores independentes que tem de se analisar bem pois se se quiser ter alguma vida própria/perspectivas tem de se garantir uma facturação mensal minima, na minha opinião, à volta dos 1300€...menos que isso não se vai conseguir ser independente...
     
    Última edição: 27 de Setembro de 2012
  3. DacaD

    DacaD Power Member

    Bom tópico...nem sei como me falhou :)

    Bem a resposta a isso não a podes ver como final (a minha pelo menos) que esta dependente da minha experiência de vida que tem (tendência a mudar de repente LOL).
    Eu prefiro trabalhar a freelancer para certos tipos de trabalho mas ando há algum tempo a preparar portefólio numa área especifica para talvez arriscar tentar uma experiência la fora visto, tirando os meus irmãos, não tenho muita coisa para me agarrar aqui (os pais tão sempre a espera que fujamos daqui não é ;) ).

    Já trabalhei a contrato (mal pago e bem pago) e trabalho a freelancer agora. Dou aulas ainda na odd-schooll que me dá alguma estabilidade financeira mas acima de tudo da-me oportunidade de trabalhar com pessoal mesmo da área e isso para mim vale ouro. Têm que ver eu não me importava de "estagiar" de borla em certos sítios que onde tenho a certeza que ia evoluir e aprender mesmo muito.

    Ser freelancer têm cenas muito más como o pânico de não fazer dinheiro, de não ter trabalho, começas logo a questionar-te sobre o teu trabalho, se tens estofo e qualidade, do que vales... é um pouco imprevisível e só o tempo te ensina a lidar com isto e a manter a calma. Para mim o ter pouco dinheiro não é o grande problema, o problema é a pessoa que te tornas quando tás em baixo, um gajo fica amargurado e perdes confiança. Depois tens o stress de gerires a parte chata que para mim são 2 -> impostos/contabilidade/papelada (sou péssimo e odeio) e discutires detalhes do trabalho com o cliente/accounts (budget, deadlines, detalhes, alterações, resultados de reuniões para feedback com o cliente deles etc etc, o tempo que se pode perder nisto em trocas de email e telefone é incrível). As cenas boas é tu controlas tudo, só dependes de ti e de mais ninguém. Se lixares um trabalho a culpa é só tua e se receberes "parabéns" isso também é só teu. Como normalmente tens trabalhos diversos e há sempre a tendência para aceitar algo novo, também ficas a par das ultimas técnicas, no teu tempo livre também tens mais tempo para trabalhos pessoais e testar novas cenas. Estas experiências pessoais passam a ser regra porque são elas que te trazem mais trabalho porque acabas sempre por meter novas cenas no portefólio e isto é importante porque ás vezes tens contratos de confidencialidade que não te deixam ter trabalho publicado. Depois se tiveres sorte podes fazer bom dinheiro tipo em 2-3 semanas fazeres dinheiro para 3-4 meses (claro que não é o normal e depende do que gastas).

    O contrato dá-te "estabilidade" mas essa "estabilidade" pode ser um pouco falsa porque é aqui que começa o problema em PT... Estamos num pais em que grande parte das empresas de "design" é o caos em organização interna, onde muitas vezes há um ou outro ego gigante, falta de competências para a função ou até mesmo desconhecimento total de um processo de trabalho de produção pelo responsável. A juntar à festa devido à nossa pequena dimensão como é óbvio é só generalistas, não há muitas empresas com funções especializadas, talvez a única mais frequente é os "artes-finalistas" e edição final de video porque são os últimos gajos na "linha de produção" antes de sair para publico (normalmente eles passam-se com atrasos porque ainda ficam com menos tempo para fazer a parte deles que o deadline não muda e depois têm que fazer noitada...). Aparte disto ainda há as accounts que podem ser o teu melhor amigo ou literalmente sugar-te a vida toda. O designer no meio disto tudo está a tornar-se literalmente carne para canhão: ordenados baixos, estágios infinitos mal pagos, horas extra etc etc etc. Para sobreviver a isto é preciso ou ter alta "jogo de cintura" (saber quando se deve ser um pouco cínico só ajuda lol) ou ter um bom núcleo forte de colegas se possível protegido por um superior que saiba do assunto. Já tive entrevistas em empresas de "renome" que, resumidamente, queriam alguém com o meu portefólio mas que "fosse estagiário no ordenado..." Neste momento sei de histórias de empresas que todos conhecem que o pessoal lá está pior que estar desempregado...a crise em conjunto com má gestão só piorou a situação. Mas sei de outras que são um espetaculo com um ambiente de trabalho relaxado e com muitos projectos (maioritariamente para fora). Contactos não servem só para arranjar trabalho mas também para saber o que se passa no mercado e não ser enganado (informação é poder).

    Depois tens 2 instituições em PT que para quem trabalha a freelancer são uma das maiores vergonhas em gestão e funcionamento: Finanças e Segurança Social. Só para se perceber a gravidade da situação se ligarem ás finanças a pedir ajuda para passarem um recibo para o estrangeiro eles não sabem como nada funciona. Com outro amigo meu ligamos para lá 3 vezes e ele fez os gajos procurarem em decretos lei e tudo e só desligava quando tinha resposta, e das 3 vezes que ligou com intervalos de 5m, atendido por 3 pessoas diferentes, recebeu 3 respostas diferentes à mesma pergunta...A SS é prepararem-se para se tiverem que lá ir levarem tudo, e quando digo tudo é mesmo tudo o que têm da papelada incluindo das Finanças, porque apesar desta modernização de eles ja terem os sistemas informáticos ligados aquilo não serve para nada!! Tudo o lá está tem que ser confirmado por papel e se faltar algum têm que la voltar...noutro dia.

    Na minha curta experiência profissional tanto já tive "bem" como já bati mesmo no fundo (e quando estás em baixo e parece que mais não desces, depois a vida pessoal pode provar o contrário...) por isso agora encaro o trabalho de forma mais relaxada porque se houve coisa que aprendi foi que nesta área, tanto a contrato como a freelancer, estabilidade é coisa que não há.

    Desculpem o longo testamento

    Abraços

    David
     
    Última edição: 2 de Outubro de 2012
  4. michael c

    michael c Power Member

    Excelente post DacaD. Peguei nesta frase para desmistificar a questão nas áreas criativas. Vejo muito pessoal novo a querer fazer carreira nesta área, mas a verdade é que ela não é para todos. O que referes é verdade e quando alguém se mete por estes caminhos deve ver bem este lado da questão. Há profissões que permitem alguma paz de espírito, mas tudo o que seja ligado ao design e comunicação é complicado e dificilmente alguma vez vai existir aquela estabilidade típica de outras profissões.

    Mas também há coisas boas. Como freelancer, a vida que potencialmente se pode ter tem um cariz único. O meu sonho é um dia poder ser nomáda digital :)
     
  5. foxymophandlema

    foxymophandlema Power Member

    Depende do contexto. É que como freelancer, pelo que vi da ultima vez, tens direito a.... nada. A contrato sempre tens direito a qualquer coisa, nem que seja fundo de desemprego. E quando tens casa, contas, etc para pagar e só estas dependente de ti mesmo, o $$ conta muito.

    Mais logo com tempo escrevo aqui qualquer coisa, que tambem já tive dos dois lados. Agora não tenho tempo. :P
     
  6. artificiaL+

    artificiaL+ Power Member

    Both contrato e freelancer.

    Falando do meu caso, exclusivamente como freelancer não podia ser. Tenho um volume de trabalho completamente incerto. Tanto posso ter 2 trabalhos num mês que me dão algum dinheiro para sobreviver os próximos meses, como posso não arranjar trabalho durante meio ano. Já vivi assim 2 anos e não é fixe! Agora com contrato tenho estabilidade, estou mais em contacto com a área, e de tempo a tempo aparece um trabalhinho como freelancer que é um bónus porreiro.
     
  7. michael c

    michael c Power Member

    Fazer freelancing em part-time é realmente também algo interessante.
     
  8. artificiaL+

    artificiaL+ Power Member

    No meu caso trabalho full-time, mas como tenho o melhor patrão do mundo...
     
  9. DacaD

    DacaD Power Member

    Claro que monetariamente é mais estável, e ter contrato ajuda até para pedir empréstimos e afins. Estava a falar mais era do flow de trabalho, de poderes ser despedido por falta dele (com esta crise não é dificil) da pressão e de fazer horas extras (sem serem pagas) etc. É que ficar sem trabalho nesta altura não é difícil seja a freelance ou contrato, e no meu caso ficar parado a mim custa-me mesmo muito, começo a "entrar em parafuso".

    Mas mete ai a tua experiência foxy, :) também quero saber mais pontos de vista
     
  10. androctonvs

    androctonvs Power Member

    Acho que também poderia entrar na discussão a modalidade "ter a sua própria empresa". Quem tiver algo para acrescentar nesse campo, força; estou interessado nas suas experiências.
     
  11. foxymophandlema

    foxymophandlema Power Member

    Para mim, grande vantagem do trabalho em freelance (em casa) é não perderes 3 horas do dia em transportes, mais o cansaço que isso inclui e muitas vezes fazeres o mesmo dinheiro em poucos dias que farias num mês a contrato.

    De resto, é preciso muita auto disciplina para não nos distrairmos e termos um controlo brutal sobre as horas de trabalho. Eu tinha um excel para marcar as horas em que começava a trabalhar e as horas em que fazia pausas. Se bem que eu sempre tentei fazer o mesmo horário que os sitio para onde faço os trabalhos e isso dá para controlar as horas. Isto porque convém estar sempre contactável. Já trabalhei com freelancer que tentávamos entrar em contacto com eles para falarmos do trabalho e não conseguíamos porque estavam a dormir...

    O chato é que não há subsidio de desemprego, os pagamentos não são a horas certas, não há certeza de mais trabalho, tendo em conta que quando assinam um contrato é porque quem vos contrata quer-vos a trabalhar lá mais do que um mes. E há a falta de conhecimento que se ganha a trabalhar com outras pessoas.

    Neste momento não aceito trabalhos como freelancer. Para conseguir ter as coisas feitas não podia dormir.... tenho um colega meu que faz as duas cenas e dorme tipo 3 horas por dia... chaga-se a uma altura já não se dá uma para a caixa...
     
  12. Ignis

    Ignis Power Member

    Olá,
    Tenho uma curiosidade, como é que tu ou outro freelancer se dá a conheçer às empresas para arranjar trabalho desse tipo? ou seja, basicamente como fazem para se auto-publicitarem para que as empresas os contactem e saibam o que vocês fazem, o vosso trabalho.
     
  13. KaiZ

    KaiZ Power Member

    Boas, também tinha outra novidade, que era, quais são os ganhos que costumam fazer mais ou menos? Estou agora a entrar num curso superior de multimédia, em que vou ter muita coisa desde Modelação/Animação 2D e 3D, Web Design, Edição Video, Computação Movel, etc, mas sinceramente estou um bocado com medo do futuro, especialmente depois do que vi neste tópico, tanto a nivel de estabilidade como de ganhos.
     
  14. michael c

    michael c Power Member

    Na mouche. Nem vale a pena acrescentar mais nada, é isto mesmo. Depois ser profissional com as agências com que se trabalha realmente acaba por ser importante. Cheguei em tempos a fazer 3 directas seguidas para entregar um trabalho dentro do prazo que foi acordado...é duro acreditem.


    Concordo. Mas quando olho para o actual mercado de trabalho, não vejo muita diferença e estabilidade acho que pelo menos em Portugal é algo que já não existe. A qualquer momento se é despedido, a precariedade nestas áreas é uma constante, recibo verde é o mais normal. Portanto não faz assim tanta diferença trabalhar para uma agência ou trabalhar como freelancer no que a estabilidade diz respeito...pelo menos é esta a ideia que tenho.


    Internet, contacto directo, portfólio. Candidaturas a anúncio a pedir freelancer. O que importa é ter trabalho para mostrar. Se não tens vais ter de inventar que fazer para ter algo para mostrar.

    Eheh, medo? You should be :D Opá...a full time tive há umas semanas uma oferta a rondar os 700€ a contrato. Tenho quase 7 anos de experiência. Portanto penso que por aqui está tudo dito. Lá fora eventualmente será um pouco diferente, mas em Portugal a realidade é esta.

    O que gostarias de saber?
     
  15. KaiZ

    KaiZ Power Member

    Re: Freelancing vs. Contracto

    Hmm mas e em freelance, a situação como anda? Em que áreas trabalhas especificamente?
     
  16. Ignis

    Ignis Power Member

    Podes ser mais especifico? Internet? mas que métodos? Contacto directo, mas como encontras esses contractos? Candidaturas a anuncio, isto quer dizer em sites de classificados? Portfólio para mostrar, pode ser em sites bem como em privado?
     
  17. michael c

    michael c Power Member

    Eu não sou exemplo :) Já não faço freelancing desde 2010. Por freelancing entendo maioritariamente trabalhar com agências pois são essas que vão fornecer-te trabalho constante e contínuo. Trabalhar com clientes finais enquanto freelancer, por experiência, é bastante complicado. Em 2009/2010 ganhava facilmente mais de 1000€ por mês sem sair de casa, sem portfólio e apenas a trabalhar para empresas e agências nacionais. Actualmente esta situação seria impensável. O mercado está mais saturado e é mais complicado quer pelo menor número de negócios existente, quer pela maior carga de impostos que existe a recibos verdes (a piorar ainda mais pelos vistos em 2013). Eu tenho trabalhado em diversas áreas, nomeadamente: webdesign, flash design e dev, design gráfico e corporativo, vídeo, fotografia e multimédia (apresentações com recurso a motion design e afins), mas actualmente estou numa conversão e a focar-me unicamente em design de interacção (UI/UX DESIGN) por gostar mais dessa área e por considerar que é a que tem mais potencial dentro do que é o meu "background" e pontos fortes enquanto profissional desta área. É dentro desta área que pretendo especializar-me daqui para a frente e é com ela que vou também (tentar) fazer carreira "a sério" como freelancer daqui para a frente. Mas isto sou eu, não serve obviamente para outros.

    Por internet quis dizer anúncios de classificados onde muitas vezes são pedidos freelancers (carga de trabalhos e afins). Por contacto directo quis dizer prospecção via linkedin de quem toma decisões nas agências de referência e contacto posterior via email de forma directa com apresentação de portfólio que terá sempre de ter versão online e versão PDF (com não mais que 5 MB). É importante ainda ter presença em sites como o dribbble e behance, se bem que criar presença a sério nestas duas redes sociais demora e deve ser encarado como um processo gradual. É um meio, não um fim. Gradualmente e com insistência consegue-se uma boa presença e o número de followers e likes vai aumentando e trazendo exposição. Depois há plataformas como as que já foram referidas, por exemplo, folyo onde é importante conseguir acesso, mas isso já é algo que depende muito da qualidade dos trabalhos.

    Este é o processo que eu sei ser correcto. Agora existem soluções onde também gostava de satisfazer curiosidade, que é nomeadamente a eficácia de sites como o elancer, freelancer.com, odesk, etc. Pessoalmente para matar a curiosidade sou capaz de experimentar algumas destas plataformas quando estiver preparado para o fazer, mais mês, menos mês. :) Depois deixo feedback.
     
    Última edição: 8 de Outubro de 2012
  18. Ignis

    Ignis Power Member

    Obrigado pela resposta esclarecedora, em sites de classificados procuras clientes, mas também poderás meter anúncios do que és capaz de fazer? E já agora como é que vocês sabem o preço do vosso trabalho?
     
  19. michael c

    michael c Power Member

    De nada. Não tenho por hábito meter anúncios por não acreditar que os potenciais clientes não procurem fornecedores por lá nestas áreas (pelo menos não os que me interessam, agências e afins). Isso do preço já é outra guerra. É uma questão complexa, não existem fórmulas mágicas. Já deste uma vista de olhos no tópico que está como fixo aqui na zona?
     
  20. artificiaL+

    artificiaL+ Power Member

    De boca em boca, que na minha opinião continua a ser o maior portal de trabalho. E para isso é preciso dar ao máximo em todos os trabalhos, mesmo os menos bem pagos, e ter atenção ao detalhe e cumprir deadlines (mesmo apesar de muitas das vezes a pressa ser só fogo no rabo).

    Os 1ºs trabalhos são os mais dificeis, a partir daí se deres o teu máximo e o cliente gostar do trabalho, se calhar vai recomendar-te a outra pessoa que conhece e precisa do mesmo serviço (uma razão muito boa para nunca desvalorizares o teu trabalho.)

    A mim o facebook foi o grande ponto de partida. Se tiveres um site para complementar essa página melhor ainda.
    De resto é ires atrás e, como o michael c disse, teres trabalho para mostrar.
     

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