O lado negro do Retrogaming

Kayvlim

Moderating From /home
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Queria só deixar uma nota (que não deve ser novidade para ninguém, mas às vezes penso nisto): o retrogaming só é possível porque a tecnologia da época assim o permitia, mas acho que não vai ser possível para sempre.

Tendo em conta que os jogos (pelo menos os AAA) agora precisam de "telefonar para casa" ou dependem por completo dos servidores, acho que vai haver uma lacuna no retrogaming no futuro: em 2050 vai continuar a ser possível jogar todos os jogos entre os 1970s e os 2000s, mas apenas alguns - principalmente os indie - de hoje em dia. Penso no único que jogo actualmente - o Rainbow Six Siege - e vou ter pena quando a Ubisoft eventualmente decidir desligar os servidores. No dia em que isso acontecer, não há Siege para ninguém, nem para quem o comprou, nem para quem eventualmente o queira jogar no futuro. É tudo efémero.

Os restantes jogos que joguei na vida - entre muitos outros, para MS-DOS o Outrun, Lode Runner, Sokoban, Prince of Persia, F29 Retaliator, e até para Windows como o Metal Fatigue, o Mortal Kombat 4 e o UT 1999 - são todos jogáveis hoje em dia, até mesmo em online multiplayer porque os servidores estão disponíveis. Já o Siege pode não ser jogável de todo daqui a 5 anos (e espero não estar a ser optimista).

Portanto, quando penso no lado negro do retrogaming, não penso nas partes chatas dos jogos antigos, isso faz parte. Penso no facto de que quem crescer com os jogos de hoje não deve poder revisitá-los no futuro.
 

Alexrd

Moderador
Staff
Infelizmente isso é uma consequência da proliferação do conceito de "jogos como serviço" (games as a service, GaaS). Os primeiros foram os MMO, e hoje em dia vai desde jogos AAA até aos jogos mobile que dependem de servidores para as mais pequenas coisas (a larga maioria). Isto para não falar com integrações a certas plataformas e serviços como Steam, Google, Origin, Ubisoft Connect, etc...

Mas sim, para muitos casos não vai haver forma de preservar esses jogos.
 
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